Adiamento dos leilões de baterias pode gerar déficit de potência em 2028, diz Absae

Adiamento dos leilões de baterias pode gerar déficit de potência em 2028, diz Absae
11 de setembro de 2026

Prazo para instalação de soluções de armazenamento é considerado preciso e não pode ser reduzido, defende Absae

Por Lorena Marcelino

Em meio a uma discussão sobre regras e rateio dos custos dos primeiros leilões de baterias do Brasil, a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) alerta que um eventual adiamento do certame pode gerar déficit de potência em 2028.

A postergação da licitação prevista para 2 e 4 de dezembro tem sido indicada como uma possibilidade por agentes do setor, devido a indefinição de regras e críticas ao rateio dos custos da inserção de baterias no sistema elétrico somente entre os geradores. Há uma pressão por parte do mercado para que consumidores entrem na divisão.

Em entrevista à agência eixos, o diretor-executivo da Absae, Fábio Lima, afirma concordar com o pleito dos geradores de divisão de custos e considera que o ideal é revogar a determinação antes do leilão, embora não veja no modelo atual de rateio um impedimento à realização do certame.

Para Lima, o adiamento traz riscos ao sistema e pode custar mais caro.

“É imprescindível a realização do leilão este ano. A gente tem um risco que está bem documentado de déficit de potência. Não se está fazendo leilão para entender a tecnologia, se está fazendo leilão para atender o déficit de potência da maneira mais barata possível”, defende.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê a necessidade adicional de 5,5 gigawatts (GW) de potência no sistema em 2028.

Segundo o diretor da Absae, o leilão precisa, necessariamente, ocorrer neste ano para haja início de suprimento em 2028, uma vez que o prazo de implantação não pode ser reduzido.

Lima considera que, se não forem utilizadas baterias, o governo terá que aumentar o acionamento das térmicas, consequentemente, aumentando os encargos da conta de energia.

“Se você não tem potência, você tem que cortar carga, e aí é o risco de apagão”, alerta o executivo.

Exclusão de consumidores do rateio faz com que eles paguem preço majorado

O diretor considera que a exclusão dos consumidores do rateio faz com que eles paguem o preço majorado. Isso porque a despesa dos geradores será repassada já com a incidência de outros encargos e impostos.

“O repasse que vai ser feito pelos geradores aos seus consumidores é uma consequência danosa, porque se ele entra na base de custos do gerador, ele vai aumentar o preço de energia e sobre ele incidem outros encargos e impostos”, explica.

“Vai chegar majorado para o consumidor”, afirma Lima.

Ele avalia que o repasse gera, ainda, uma distorção no rateio. Nas demais soluções, onde o consumidor entra diretamente na divisão, quem consome mais, paga mais. Nas baterias, como o rateio vai partir dos geradores, outros fatores são levados em conta no repasse.

“Aquele consumidor que consome muito na ponta não vai ter um sinal econômico para reduzir a sua demanda, distorcendo ainda mais o rateio”, afirmou o diretor.

 

Fonte: Eixos.com.
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