A ABEMI VÊ O DESCONTROLE FISCAL, O ENDIVIDAMENTO PÚBLICO E A FALTA DE MÃO DE OBRA COMO RISCOS PARA A ECONOMIA EM 2026

A ABEMI VÊ O DESCONTROLE FISCAL, O ENDIVIDAMENTO PÚBLICO E A FALTA DE MÃO DE OBRA COMO RISCOS PARA A ECONOMIA EM 2026
8 de dezembro de 2025

O projeto Perspectivas 2026 desta segunda-feira (8) abre a semana trazendo as opiniões do Presidente da  Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI) Nelson Romano, uma entidade de grande importância para engenharia brasileira, por onde já passaram nomes importantes, como Ricardo PessoaAntônio Muller e Carlos Maurício de Paula Barros, que contribuíram e muito para o desenvolvimento tanto da instituição como da relação entre as empresas e o crescimento do nível técnico e tecnológio da engenharia do país.  Agora, a batuta está nas mãos de Romano, que enfrenta uma economia vivendo grandes dificuldades do ponto de vista fiscal. Como ele mesmo diz, “O maior risco para a estabilidade política e econômica hoje é o avanço do endividamento público”. Ele lembra ainda que “Sem controle adequado dos gastos obrigatórios, o país corre o risco de enfrentar uma deterioração fiscal”. E todos nós sabemos que as consequências deste descontrole resulta em inflação descontrolado, o grande perigo, aumento das taxas de juros, endividando as empresas e inviabilizando a expansão dos negócios e investimentos.  

Nelson Romano diz que  a transição energética no Brasil precisa ser tratada de forma realista e integrada, considerando que o Brasil só consolidará sua posição privilegiada,   “Se articular de forma equilibrada as fontes eólica, solar, bioenergia, fóssil e nuclear.” Para ele, o  maior risco para a estabilidade política e econômica hoje “é o avanço do endividamento público, Sem controle adequado dos gastos obrigatórios”. Embora otimista para as atividades em 2026, Romano acredita que “o principal desafio será a falta de mão de obra qualificada, que já se mostra um problema crescente e precisa ser enfrentada com programas de formação técnica mais robustos”.  Para ele, no campo macroeconômico, o desempenho de 2026 dependerá da capacidade do governo de avançar no equilíbrio das contas públicas e de “solucionar as questões tarifárias que ainda prejudicam as exportações.” Vamos então ao balanço de 2025 para a engenharia brasileira e as suas opiniões no Perspectivas 2026 de hoje:

– Como foi o ano de 2025 para a ABEMI? As perspectivas se confirmaram?

O ano de 2025 foi, de modo geral, positivo e alinhado às expectativas, especialmente nos segmentos de engenharia industrial e nos projetos relacionados a óleo, gás e energia. No entanto, o mercado de refino acabou sofrendo um impacto significativo com o cancelamento da concorrência destinada à conclusão das obras da RNEST. Por ser um empreendimento de grande porte e relevância estratégica, a interrupção influenciou diretamente o planejamento anual das empresas de engenharia e EPCistas, exigindo realocação de recursos e gerando incertezas no setor. Apesar desse episódio específico, a demanda por engenharia, expansão de plantas, modernização e serviços especializados se manteve consistente ao longo do ano.

– Dentro da realidade brasileira e da economia atual, quais seriam as medidas mais acertadas para que as coisas pudessem melhorar?

-A evolução do ambiente econômico brasileiro depende fundamentalmente de políticas capazes de destravar investimentos. O país ainda tem forte dependência do Estado para impulsionar sua base industrial, o que torna indispensável uma agenda coordenada e previsível. É necessário avançar nas negociações internacionais para reduzir tarifas que têm afetado setores estratégicos, estimulando o aumento das exportações. Também é essencial que estatais com capacidade financeira mantenham seus ciclos de investimento e assegurem continuidade a projetos estruturantes. Obras já iniciadas, como a RNEST, o Complexo de Lubrificantes de Boa Ventura aproveitando estruturas remanescentes do Comperj, e a UFN-III, precisam ser concluídas para reduzir a dependência externa e fortalecer cadeias produtivas críticas. Outro ponto relevante é a definição clara sobre o futuro do programa nuclear brasileiro, que requer uma análise técnica atualizada sobre segurança, custo e avanços internacionais. Além disso, a transição energética precisa ser tratada de forma realista e integrada, considerando que o Brasil só consolidará sua posição privilegiada se articular de forma equilibrada as fontes eólica, solar, bioenergia, fóssil e nuclear.

Fernando Haddad – Ministro da Fazenda

– Quais os problemas atuais que podem ser vistos como risco à nossa estabilidade política e econômica?

O maior risco para a estabilidade política e econômica hoje é o avanço do endividamento público, amplamente discutido por analistas e pela imprensa especializada. Sem controle adequado dos gastos obrigatórios, o país corre o risco de enfrentar uma deterioração fiscal que pode resultar em inflação mais alta, aumento das taxas de juros, retração do investimento privado e fuga de capitais. A carga tributária já atingiu o limite suportável e não há espaço para novas elevações, o que evidencia que ajustes precisam ocorrer pelo lado das despesas. Se o Estado não reorganizar suas contas e não recuperar capacidade de planejamento fiscal, a economia continuará operando sob incerteza, o que afeta diretamente investimentos e geração de empregos.

– Quais são as perspectivas para 2026? Mais otimista ou mais pessimista? O que fazer para termos um ano melhor?

-As perspectivas para 2026 no setor de engenharia industrial são positivas. A demanda deve continuar sendo impulsionada pelo plano de investimentos da Petrobrás e por um movimento gradual de reindustrialização em áreas estratégicas. O principal desafio será a falta de mão de obra qualificada, que já se mostra um problema crescente e precisa ser enfrentada com programas de formação técnica mais robustos. No campo macroeconômico, o desempenho de 2026 dependerá da capacidade do governo de avançar no equilíbrio das contas públicas e de solucionar as questões tarifárias que ainda prejudicam as exportações. Caso esses pontos evoluam, o próximo ano poderá oferecer maior previsibilidade e confiança, criando um ambiente favorável à retomada de investimentos e a um ciclo econômico mais estável.

Fonte: Petronotícias.
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