Um total de 74% dos brasileiros acredita que o país deveria investir mais em segurança energética. Além disso, para 72%, o caminho para alcançar a segurança no fornecimento de energia é uma matriz energética diversificada, com investimentos em fontes renováveis –como a eólica, a solar e a biomassa– e não renováveis, como o gás natural.
As informações estão em pesquisa realizada pelo PoderData, a pedido da Eneva. O levantamento ouviu 2.500 pessoas em 219 municípios das 27 unidades da Federação, de 5 a 13 de maio de 2025, por meio de ligações telefônicas. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o intervalo de confiança, 95%.
A matriz energética do Brasil tem as características certas para refletir a diversidade defendida pelos entrevistados. O país, hoje, tem 84,45% de sua matriz composta por energias renováveis e 15,55% por não renováveis. A infraestrutura inclui 219 hidrelétricas, 1.643 usinas eólicas e 21.325 usinas fotovoltaicas –aquelas que utilizam painéis solares para produzir eletricidade a partir da luz do sol. Além disso, com um papel extremamente relevante, há 3.093 plantas termelétricas em território nanacional.
Essas últimas exercem uma função fundamental na transição energética, com destaque para as usinas termelétricas movidas a gás natural. Segundo especialistas ouvidos pelo Poder360, o avanço do combustível terá impacto tanto na economia do país quanto na sustentabilidade.
O combustível deverá registrar crescimento de quase 69% em 10 anos no Brasil segundo o PDE (Plano Decenal de Energia) 2034, divulgado em 2024 pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e pelo MME (Ministério de Minas e Energia).
O superintendente de Pesquisa da FGV Energia, Marcio Lago Couto, destaca a posição mais aderente do gás natural às exigências do mercado e o fato de este ser uma opção mais sustentável na comparação com outros combustíveis fósseis. “Já existe um consenso de que o gás é um elemento importante na transição [energética] e será muito mais importante no caso das termelétricas”, disse.
As termelétricas também são mais confiáveis para garantir energia firme se comparadas com outras fontes, como as hidrelétricas –sujeitas ao regime de chuvas– e a fotovoltaica e eólica –também dependentes das condições climáticas.
A pesquisa PoderData mostrou que as falhas no fornecimento de energia são uma fonte de preocupação dos brasileiros. De acordo com os dados, quase metade dos entrevistados (47%) teme a ocorrência de apagões. O receio é maior entre os habitantes das regiões Sul (67%) e Norte (60%) do país.
Segundo Couto, o medo pode ser explicado por registros relativamente recentes, como os eventos climáticos que ocorreram na região Sul em 2024, e o fato de, por muito tempo Roraima ter sido um Estado isolado do SIN (Sistema Interligado Nacional).
“A população do Sul tem muito medo de apagão em razão de os eventos serem mais recentes. A do Norte teme conviver com esse risco de uma forma permanente por não estar dentro do SIN e ter, assim, uma logística de geração de energia mais complicada”, disse.
Apesar de os moradores das duas regiões se mostrarem mais inseguros quanto ao fornecimento elétrico, Estados de outras áreas também estão sujeitos a sofrer blecautes, conforme mostram os registros da década.
Em 15 de agosto de 2023, uma ocorrência no SIN interrompeu o fornecimento de energia em 25 Estados e no Distrito Federal. Segundo o boletim do ONS (Operador Nacional do Sistema), foram 6 horas até o fornecimento ser totalmente restabelecido. A queda comprometeu 22.547 MW (megawatts), do total de 73.000 MW que estavam sendo atendidos, o equivalente a 31% da carga total daquele período.
Já em outubro de 2024, mais de 50.000 pessoas ficaram sem energia elétrica na região da Grande São Paulo depois de temporais.
Naquele ano, com esses e outros eventos, usuários sofreram uma média de 4,89 interrupções no fornecimento no período. O número significou cerca de 10 horas e 24 minutos sem energia elétrica, de acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O tempo corresponde, por exemplo, a 3 exibições completas do filme “Titanic” ou à duração de quase duas viagens de carro de São Paulo ao Rio de Janeiro.
O pesquisador da FGV ressalta a relevância das termelétricas para prevenir situações semelhantes. Ao contrário das hidrelétricas, essas plantas não são afetadas com períodos de seca. Dessa forma, podem fazer uma entrega mais firme, sobretudo diante da demanda por eletricidade, que tende a crescer 3,4% ao ano até 2034, de acordo com a Caderno de Demanda e Eficiência Energética do PDE (Plano Decenal de Expansão) 2034, do MME.
“Para atender ao consumo de eletricidade, precisaremos das termelétricas exercendo um papel importante para dar essa segurança energética. Dentre as fontes disponíveis, o gás natural é o principal recurso para conseguirmos atingir esse resultado”, afirmou.