Baterias podem reduzir cortes de energia, diz Alupar

Baterias podem reduzir cortes de energia, diz Alupar
13 de abril de 2026

Solução para cortes de geração passa pelo armazenamento, ainda sem marco regulatório definido

Por Robson RodriguesFabricio Julião

O armazenamento de energia por baterias deve ganhar protagonismo no setor elétrico brasileiro como resposta aos crescentes cortes de geração renovável, conhecidos como “curtailment”. A avaliação é de Luiz Coimbra, diretor de relações com investidores da Alupar, que aponta o fenômeno como o principal desafio atual da indústria.

“Baterias vão ser uma das soluções para atender a demanda por potência”, afirmou o executivo em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN Infra. Segundo ele, a tecnologia pode ajudar a reduzir desperdícios ao permitir o armazenamento da energia gerada em momentos de baixa demanda para uso posterior.

“Se a gente conseguir armazenar parte da energia em momento que não temos demanda e conseguir alocar em outros momentos, certamente teremos uma operação mais tranquila”, acrescentou.

O “curtailment” tem avançado no Brasil diante da rápida expansão das fontes eólica e solar, combinada com limitações na infraestrutura de transmissão. O resultado é o corte compulsório de geração, mesmo quando há capacidade instalada disponível, o que pressiona a eficiência do sistema e a rentabilidade dos projetos.

Nesse contexto, as baterias surgem como alternativa para dar maior flexibilidade à operação elétrica, especialmente em um sistema cada vez mais dependente de fontes intermitentes. Apesar do potencial, o avanço desses projetos ainda esbarra em incertezas regulatórias.

Segundo Coimbra, a Alupar já avalia oportunidades em sistemas de armazenamento, mas aguarda definições mais claras por parte do governo federal. Do lado da regulação, a ausência de regras específicas para o armazenamento de energia é vista pelo setor como o principal entrave para destravar investimentos. O tema vem sendo discutido há anos, mas ainda não há um marco consolidado que dê segurança aos agentes.

Um indicativo recente da necessidade de soluções para potência foi o leilão de reserva de capacidade realizado em março, que contratou 18,97 gigawatts (GW) e deve mobilizar cerca de R$ 64,5 bilhões em investimentos. Apesar disso, o certame não incluiu projetos de baterias, evidenciando o estágio inicial da tecnologia no país.

O Ministério de Minas e Energia promete desde 2024 um leilão específico para o setor de baterias, mas ainda não há uma data marcada. A avaliação de Coimbra reforça a leitura de que, sem armazenamento, o país terá dificuldades para lidar com os picos de geração renovável e minimizar os cortes.

 

 

Fonte: CNN Brasil.
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