“Cobre é o combustível do futuro”, diz CEO da Termomecanica
Empresa fechou 2024 com faturamento líquido de R$ 4,03 bilhões, um crescimento de 40% em relação ao ano anterior
FONTE: Veja Negócios.
“O cobre é o combustível do futuro”, afirma Luiz Henrique Caveagna, CEO da Termomecanica. Essencial para a evolução tecnológica, o metal é um excelente condutor térmico e elétrico, presente em circuitos eletrônicos, veículos elétricos, linhas de transmissão de energia e equipamentos industriais, aparelhos de refrigeração e acabamentos da construção civil. A demanda crescente tem impulsionado a valorização da commodity e beneficiado empresas como a Termomecanica, que fechou 2024 com faturamento líquido de R$ 4,03 bilhões, um crescimento de 40% em relação ao ano anterior.
A alta do cobre e do dólar foram determinantes para o resultado. “Trabalhamos com estoque próprio, o que gera valorização adicional”, explica Caveagna. Para 2025, ele projeta a manutenção dos preços elevados, com a tonelada variando entre 9 mil e 10 mil dólares.
Expansão e investimentos
Além do câmbio favorável, o crescimento da Termomecanica reflete um ciclo de investimentos que já ultrapassa R$ 350 milhões nos últimos cinco anos. “Nosso foco está na eficiência”, destaca o executivo. A empresa, que emprega 1.800 funcionários, prevê um aporte de R$ 100 milhões neste ano, um aumento de 30% em relação a 2024.
A expansão internacional também tem sido estratégica. Com sede em São Bernardo do Campo (SP) e plantas produtivas no Chile e na Argentina, a companhia abriu uma unidade em Manaus há dois anos e, mais recentemente, um centro de distribuição no México. Nos Estados Unidos, mantém dois centros de distribuição: um na Carolina do Norte, especializado em laminados, e outro na Califórnia, voltado para tubos de instalações e redes. “A ideia é estar próximo dos clientes”, diz Caveagna. Em 2024, as exportações cresceram 40%, elevando a participação do mercado externo para 35% do faturamento.
Diversificação e infraestrutura
A Termomecanica atende setores como refrigeração, automobilismo, geração e transmissão de energia elétrica e construção civil. A flexibilidade diante das oscilações de mercado tem sido um diferencial. No ano passado, o calor intenso impulsionou as vendas de tubos de cobre para a fabricação de aparelhos de ar-condicionado.
Para este ano, a empresa prevê impacto no faturamento devido ao atual patamar dos juros no Brasil. “Nossa preocupação está na construção civil”, afirma José Wilson Oliveira, diretor financeiro da empresa. “Com a Selic nesse nível, o financiamento imobiliário deve cair bastante”, diz o diretor. Oliveira também vê risco de retração no setor automotivo, outro segmento que pode sofrer com o aperto monetário.
O cobre na mira da taxação americana
O papel estratégico do cobre explica a cautela dos Estados Unidos na definição de sua política tarifária. O presidente Donald Trump já ameaçou incluir o metal em seu pacote de taxações, mas antes encomendou um estudo para avaliar a dependência americana das importações do cobre.
“O preço do cobre já vem subindo na bolsa americana, sinalizando que o mercado está precificando essa eventual taxação”, explica Caveagna. Para 2026, ele projeta uma valorização ainda maior do metal, a depender da conjuntura econômica e das políticas de taxação.