Carros elétricos viabilizam reciclagem de baterias
177 mil veículos eletrificados foram comercializados em 2024
FONTE: Valor Econômico.
Sistemas de armazenamento de energia e baterias de lítio de veículos elétricos podem ser 100% recicladas, com tecnologia difundida em todo o mundo e que começa a ser aplicada no Brasil, ainda que em pequenos volumes. Como a frota de carros eletrificados no país começou a se expandir mais recentemente – foram 177 mil veículos comercializados em 2024 -, ainda não existe quantidade significativa de material a ser reciclado, mas já existem empresas especializadas na logística reversa e reciclagem desses componentes.
As baterias têm vida útil estimada entre 8 a 15 anos, variando conforme tecnologia, porte do veículo e quantidade de cargas realizadas. Não é necessário trocá-las de uma vez – em geral, antes do descarte, é realizado um teste das células que compõem a bateria, e só aquelas que estão danificadas são substituídas e enviadas para reciclagem. Esses componentes são, então, triturados e têm os itens que os compõem – plástico e alumínio e os metais lítio, cobalto e níquel – separados.
“Esses três metais formam a chamada massa negra, um pó metálico, de cor preta, que já é negociado como commodity no mercado internacional” explica Marcelo Cariolli, vice-presidente de negócios para a América Latina da Re-Teck, empresa americana que recicla baterias e que atua no Brasil desde 2016. Esses metais também são separados e podem ser reaproveitados na fabricação de novas baterias, podendo ser reciclados infinitas vezes.
O mercado global de reciclagem de massa negra é promissor: foi avaliado em US$ 14,4 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 51,7 bilhões até 2032, segundo a consultoria Markets and Markets, movido pela transição energética e o crescimento da frota dos veículos elétricos. Por enquanto, em razão do baixo volume de baterias descartadas no Brasil, a separação dos componentes das células encaminhadas para reciclagem no país é realizada nos Estados Unidos.
Segundo Cariolli, a expectativa é que em até 15 anos essa etapa seja feita no Brasil. “Temos estrutura para reagir a essa demanda e processar a massa negra aqui, sem os custos de enviar para o exterior. Os fabricantes de carros elétricos já contam com programas de logística reversa e estamos olhando também para os sistemas de armazenamento de energia”, diz o executivo, que também é diretor de componentes da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
A BYD, que liderou o mercado de veículos elétricos em 2024, com 76,8 mil unidades emplacadas, aposta no reaproveitamento e reciclagem de suas baterias Blade, com durabilidade estimada de até 30 anos. “[A bateria] pode chegar a mais de 1 milhão de quilômetros rodados em condições normais de uso”, afirma Rodrigo Garcia, gerente de P&D da BYD Brasil.
Como são recentes, baterias dos carros de passeio ainda não chegaram ao estágio de segunda vida ou destinação final no país, como ocorre com ônibus elétricos, que rodam mais. A BYD faz a triagem dessas baterias em sua fábrica de m Campinas (SP). Caso tenham condições, são enviadas para a unidade de Manaus para reaproveitamento em aplicações estacionárias, como sistemas de armazenamento de energia solar e backup em estações de telecomunicações. As que não podem ser reutilizadas seguem para reciclagem.