Expansão da capacidade global de energia renovável quebrou recorde em 2024
FONTE: Petronotícias.
A Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) publicou um novo relatório que mostra um aumento expressivo na capacidade de energia renovável durante 2024, que terminou o ano totalizando 4.448 gigawatts (GW). Isso representa uma adição de 585 GW e um recorde na taxa de crescimento anual (15,1%). Apesar disso, segundo a entidade, o progresso ainda está aquém dos 11,2 terawatts necessários para alinhar-se à meta global de triplicar a capacidade instalada de energia renovável até 2030. Para alcançar esse objetivo, a capacidade renovável precisará crescer 16,6% ao ano até 2030.
Além disso, o avanço mais uma vez reflete disparidades geográficas significativas. Como nos anos anteriores, a maior parte do crescimento ocorreu na Ásia, com a China contribuindo com a maior fatia – quase 64% da capacidade adicionada globalmente – enquanto a América Central e o Caribe tiveram a menor participação, com apenas 3,2%. Os países do G7 e do G20 foram responsáveis por 14,3% e 90,3% da nova capacidade em 2024, respectivamente.
“O crescimento contínuo das energias renováveis que testemunhamos a cada ano é uma prova de que elas são economicamente viáveis e facilmente implantáveis. A cada ano, as renováveis continuam a quebrar seus próprios recordes de expansão, mas ainda enfrentamos os mesmos desafios de grandes disparidades regionais e o relógio correndo contra nós, com o prazo de 2030 se aproximando rapidamente”, disse o Diretor-Geral da IRENA, Francesco La Camera.
A energia solar foi a principal responsável pelo crescimento da capacidade renovável em 2024, com um aumento de 451,9 GW. A China liderou essa expansão, adicionando 278 GW, seguida pela Índia, com 24,5 GW. A energia hidrelétrica (excluindo armazenamento por bombeamento) também registrou um crescimento significativo, atingindo 1.283 GW, impulsionada principalmente pela China. Outros países como Etiópia, Indonésia, Nepal, Paquistão, Tanzânia e Vietnã adicionaram mais de 0,5 GW cada, demonstrando um fortalecimento da capacidade hidrelétrica em diversas regiões.
A energia eólica teve um leve recuo no ritmo de expansão, mas ainda assim atingiu crescimento de 1.133 GW até o final de 2024, com a China e os Estados Unidos liderando as adições. A bioenergia também mostrou recuperação, crescendo 4,6 GW no ano, impulsionada principalmente por investimentos na China e na França. Já a energia geotérmica expandiu-se em 0,4 GW, com destaque para a Nova Zelândia, Indonésia, Turquia e Estados Unidos. Além disso, a eletricidade off-grid (excluindo Eurásia, Europa e América do Norte) quase triplicou sua capacidade, crescendo 1,7 GW e chegando a 14,3 GW, com a energia solar off-grid representando a maior parte desse crescimento, alcançando 6,3 GW em 2024.
“Com a competitividade econômica e a segurança energética se tornando preocupações globais cada vez maiores, expandir rapidamente a capacidade de energia renovável significa aproveitar oportunidades de negócios e reforçar a segurança energética de forma rápida e sustentável. Exorto os governos a usarem a próxima rodada de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs 3.0) como uma oportunidade para delinear um plano claro para suas ambições em energia renovável e apelo à comunidade internacional para fortalecer a colaboração em apoio às metas dos países do Sul Global.”, acrescentou Francesco La Camera.
O grande descomissionamento líquido de energia não renovável em algumas regiões também contribuiu para o aumento da capacidade renovável. No entanto, ainda é necessário fazer mais para alcançar a meta de triplicar a capacidade renovável até 2030 e cumprir o Acordo de Paris. Nos últimos anos, a IRENA tem defendido a definição de metas claras e quantificáveis para a capacidade renovável nas NDCs 3.0. Para isso, a Agência tem auxiliado na melhoria e implementação das NDCs de seus membros, com foco no setor energético por meio de sua atuação junto aos países.
Comentando sobre o progresso notável, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou: “A energia renovável está encerrando a era dos combustíveis fósseis. O crescimento recorde está gerando empregos, reduzindo contas de energia e melhorando a qualidade do ar. Renováveis renovam economias. Mas a transição para a energia limpa precisa ser mais rápida e mais justa – garantindo que todos os países tenham a chance de aproveitar plenamente os benefícios da energia renovável barata e limpa.”